Categoria: Boletim

Exordium (3)

Todos nós já sabemos que este ano a Maçonaria, que denominamos de especulativa, comemora 300 Anos. Nós, enquanto Grande Loja Unida de Portugal, integrando o conjunto das denominadas Maçonarias Regulares, temos sabido prestar o nosso singelo contributo, nomeadamente pelo desenvolvimento de atividades e iniciativas que enalteçam o papel dos Maçons no Mundo e a importância da Maçonaria na atualidade e em particular em Portugal.

Para tanto, iremos manter o ritmo das nossas actividades e iniciativas e depois de termos aberto o nosso Templo à população no passado dia 24 de Junho, de termos oferecido dois espetáculos culturais e musicais à população do Beato, de inaugurarmos uma exposição de pintura colectiva de artistas maçónicos, de termos efetuado diversas ações e campanhas de solidariedade, vamos manter o nosso programa com a realização de diversas visitas histórico-culturais, das quais destaco a visita à Quinta da Regaleira e ao Mosteiros dos Jerónimos. A visita à Quinta da Regaleira, insere-se e integra a agenda da plataforma “Pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social”, destinando-se, desta forma, a mobilizar e sensibilizar a sociedade portuguesa para a problemática da pobreza e da exclusão social, enquanto efetivas violações dos mais elementares Direitos Humanos.

O nosso propósito é darmos a conhecer uma Maçonaria próxima da sociedade, sermos por ela reconhecidos e que possamos, enquanto Maçons, ser um Exemplo. A Maçonaria é universal, todos os Maçons se reconhecem mutuamente e todos nós, enquanto Maçons, temos a responsabilidade de salvaguardar e preservar os seus ensinamentos e princípios imutáveis, que foram passados ao longo dos séculos. Urge pois recuperar o reconhecimento da própria sociedade que ao longo dos séculos e por diversos motivos, se foi perdendo e muitas vezes por culpa dos seus próprios obreiros.

Mas a Maçonaria é a Grande Sociedade intelectual que todos conhecemos, uma verdadeira academia no sentido moral, que pretende expandir a mais pura de todas as filosofias. Nos dias que correm, com os dramáticos acontecimentos que assolaram o nosso país, onde vimos perder muito do nosso património, edificado pelos nossos antepassados e pelos nossos Irmãos Templários, perdeu-se muita da nossa identidade.
Quando se perde o pinhal de Leiria e muitos territórios, que hoje são terra queimada, vão-se símbolos da nossa identidade enquanto povo.

“Não foram apenas árvores que arderam. Foi Portugal. Eu, tu, cada um de nós”

Chegados a esta situação, cabe-nos a cada um de nós enquanto Maçons, olhar em frente e, individualmente, saber participar civicamente na reconstrução da nossa identidade, fazendo com que os nossos antepassados nos admirem com orgulho, assim como nós olhando para os 300 Anos nos sentimos orgulhosos pelo trabalho de milhões de Irmãos espalhados pelo Universo.

Continuemos nos nossos Templos e fora deles, a praticar as virtudes, o Amor fraterno, a proclamar a educação cívica, os verdadeiros retiros silenciosos de homens livres e de bons costumes.

R.’.G.’.M.’. Paulo Cardoso

NOTA EDITORIAL

MM:.QQ:.II:.

A data da elaboração deste Boletim nº4, da GLUP (Grande Loja Unida de Portugal), que agora se apresenta, coincide aproximadamente com o reinicio dos trabalhos da nossa A:.O:. , retomando com força e vigor, quer as linhas de orientação estratégica que inicialmente foram adotadas, bem como, a implementação de novos desenvolvimentos estratégicos e estruturais, para o novo ano maçónico, que agora se inicia.

Aproveitamos a circunstância, para saudar efusivamente, todos os nossos II:. que desde a primeira hora assinalaram a sua presença, incentivando-nos a prosseguir e a ajudar, na superação das nossas insuficiências e omissões iniciais. Na formalização deste nosso processo, de divulgação de informação diversa pertinente e de publicitação de alguns tópicos, em ordem a incentivar a reflexão, colectiva, é sempre possível melhorar, tanto mais, quando se trata de um projecto, que afinal, é pertença de todos nós.

Na saudação precedente, vai necessariamente implícito, o infinito agradecimento para todos os OO:.  que não regatearam os necessários apoios, formalizando-os das mais diversas formas, com preciosas sugestões, críticas construtivas, e ainda, a cedência dos vários preciosos trabalhos ou pranchas, bem como, dando-nos conhecimento de acontecimentos relevantes do quotidiano da nossa A:.O:. .

Em conformidade, o presente boletim, idealiza pequenas alterações estruturais, para as quais solicitamos a colaboração de todos os II:., pretendendo-se futuramente incluir:

  1. Breves sínteses em língua inglesa sobre alguns conteúdos, nomeadamente breves notícias de acontecimentos promovidos pela GLUP, ou que neles tenha tido, ou venha a ter, participação. A propósito, recebemos com muita alegria, a disponibilidade de alguns II:. que se ofereceram para laborar nessas traduções, o que muito agradecemos;
  2. Breve síntese das linha programáticas de todas as R:.L:., realçando os objectivos a atingir para o ano maçónico que agora se inicia;
  3. Notícias dos eventos ou implementação de projectos, que individualmente ou em grupo, na qualidade de profanos (incluindo actividades de natureza profissionais), tenham promovido ou participado.
  4. Igualmente se propõe informar sobre outras actividades e projectos, cuja participação dos II:., enquanto maçons, não implique todavia, intervenção da A:.O:. (ou apenas digam indirectamente respeito à nossa G:.L:.).
  5. O Boletim, pretende dentro das suas limitações, contribuir para a construção de um espaço de debate, permitindo a interacção de todos os II:., recolhendo reflexões e comentários sobre temas maçónicos ou eventualmente profanos (da actualidade ou já pertencendo ao passado recente). A sua publicação poderia estar, em todo o caso, eventualmente sujeita a uma comissão de leitura, remetendo-se, os que dada sua inquestionável qualidade e não podendo ser publicados em Boletim, para futura publicação do Anuário. O Anuário N.º 1 (2016/17), terá a sua apresentação prevista para o final do ano civil, ou inicio do próximo, constituindo uma memória sintética global, do ano maçónico pretérito.

Apresentando os nossos calorosos cumprimentos enviamos a todos os nossos QQ:.II:. um grande TAF

Fernando António Monteiro de Almeida Casqueira, G:.P:./Hermes, Vice G:.P:.

R.’. L.’. Phi, N.º 9

A loja Phi nº 9 foi consagrada no passado dia 23 de Setembro, em sessão de Grande Loja no Templo Pátria, por altura do Equinócio de Outono 6017.

Acredito que o seu ADN – a R. L. Camões nº1 – vai permitir-lhe ser bem sucedida na continuidade do seu legado, tendo em conta tudo o que de bom foi feito por esta que foi a ‘minha’ Loja durante o primeiro ano de existência da GLUP. Fica aqui um ‘bem-hajam’ aos Irmãos que ali comigo cresceram!

Como em qualquer Loja, é ao Venerável Mestre, com a cumplicidade dos seus obreiros, que define e personaliza o rumo que vai sendo traçado; o meu veneralato tem como objectivo levar-nos a um porto de destino simbólico, com coordenadas geográficas meramente especulativas, pois o que verdadeiramente me interessa é a viagem que vamos viver em conjunto como obreiros/tripulantes  deste desígnio  fantástico que agora se reinventa.

A minha exigência está em não desperdiçar esta oportunidade, aproveitando-a ao máximo para reivindicar princípios maçónicos com os quais me identifico, e acreditando poder transmiti-los duma forma construtiva e duradoura, almejando a que possam ser discutidos e melhorados nos próximos veneralatos, o que pressupõe uma continuidade do que defendo.

E o que defendo é sendo a Maçonaria uma das poucas vias iniciáticas que ainda sobrevive no Ocidente, temo que isso possa  acabar se não formos cuidadosos e exigentes. O nome “Maçonaria” é possível que não acabe, pois há muitos interesses à sua volta; mas a que queremos praticar na Loja Phi é a genuína, aquela que nos faz vibrar com atributos que as palavras não explicam, uma egrégora  como sede do verdadeiro segredo maçónico.

É preciso aplicar à nossa época o conceito da doutrina metafísica e da cosmogonia perene, a tradição supra-humana como expressão própria da verdade e da sabedoria, uma tradição primordial onde a Maçonaria se revê, expressando-se pelo símbolo e com sede na GLUP.

E foi imbuído desta determinação que escolhi a designação de ‘Phi’ para nome desta Loja, pois este é o símbolo maior da criação divina do GADU, emparelhado com outros numa família de códigos e estruturas que se inter-conjugam e manifestando, por seu intermédio, a realidade do discurso universal proporcionando, a quem souber interpretá-los (e nós, pela Iniciação, estamos vocacionados para isso), uma tradução inteligível dessa mesma realidade e que de outra forma a ela não teríamos acesso.

Vamos recuperar o discurso maçónico que encontro em René Guénon, um filósofo francês nascido no séc. XIX e tido, para meu regozijo, como inclassificável, atributo dado a todos os que não estão alinhados com as normas vigentes da sua época e têm a ousadia de pensar por eles próprios. Outro René, o René Alleau, também estará presente na interpretação em Loja que pretendo fazer do seu livro “A Ciência dos Símbolos”.

Tenho um forte motivo para o evocar, pois assim junto a minha à sua voz chamando a atenção de todos os maçons que buscam o Conhecimento.

É meu desejo que encontremos nos símbolos e nos ritos os métodos necessários para vincular a nossa iniciação à Ordem, ou seja, convoco todos os que se consideram herdeiros do nosso legado tradicional, considerando-o vivo e  actuante (e não uma anacrónica relíquia do passado), e como parte indissociável e essencial daquilo que é a “corrente áurea” ou Philosophia Perennis, em latim e no original,diretamente emanada da Tradição primordial, pois ao admitirmos a universalidade e sacralidade dos códigos simbólicos de todas as tradições, mesmo as já desaparecidas, ficamos na posse de um inestimável capacidade para compreender a própria simbólica maçónica.

É esta a tarefa que eu e todos os obreiros da Loja Phi se propõem.

Muito obrigado pela vossa atenção,

LVB, VM da Loja Phi, N.º9

ESOTEROLOGIA DOS LUGARES MÁGICOS PORTUGUESES

O decurso vivencial de todos nós implica a noção de trajecto e independentemente das perspectivas que subjectivamente se podem adotar, ninguém negará que, a problemática ou a vivência da “caminhada”, constituiu desde muito precocemente na história da cultura humana, aquilo que a antropologia designa como, um “Universal da Cultura”. Gradualmente mitificadas e actualizadas, em certos períodos por meio de rituais, na maioria das culturas, tais práticas, demandaram igualmente a adopção de marcadores espaciais na paisagem. Desde as culturas megalíticas atá à época moderna, esse “caminhar” encontra a sua visibilidade em inúmeros exemplos, como sejam os vestígios de Stonehange , Almendres, Odrinhas, etc. e em épocas mais recentes, integrando as práticas do cristianismo, como as peregrinações em, Santa Eufémia (Sintra) Bom Jesus do Monte, Senhora dos Remédios ou Carmelo do Buçaco, ou dezenas de outros exemplos possíveis.

As asserções precedentes, pensamos, seriam suficientes para motivar a partilha de uma singela experiência de reflexão e convívio, que se inscreve nesta problemática, que propomos ocorrer no dia oito de Outubro, pelas 10 horas da manhã (o convite formal para a participação, bem como o programa, seguirá dentro em pouco).

A concentração dos eventuais interessados, efetivar-se-á, no parque de estacionamento do “exotérico” convento dos Capuchos (Sintra).

Seguir-se-á, deslocação em viatura até outro estacionamento, na base da Ermida da Peninha/Palacete de António Augusto Carvalho Monteiro/ ruínas da ermida de São Saturnino.

Este complexo, não costuma estar acessível ao público (apenas as ruínas), porém, estamos a desenvolver os maiores esforços para que seja franqueada a entrada. Senão apenas poderemos examiná-lo do exterior o que igualmente se revela interessante.  A partir deste ponto, acede-se ao trilho para inicio da caminhada conducente ao misterioso tholoi (?) ou anta de Adrenunes, com regresso ao ponto de partida (Peninha). Propomos a seguir um almoço – convívio no restaurante “O Farol” em Malveira da Serra.

-As narrativas eventualmente produzidas no decorrer desta visita, introduzem os participantes na vastíssima problemática implícita nas subsequentes visitas de estudo e convívio que a GLUP propõe para este ano, em convergência com idêntica estratégia formativa de algumas R:.L:..

Numa breve alusão a propósito de trajectos, caminhadas ou peregrinações lembramos que diversos autores dedicados ao saber esotérico reclamam serem sete (número mágico por excelência), os caminhos (ou peregrinações) esotéricos de Portugal.

-O Número sete, numero da vida no seu aspecto mais misterioso e secreto corresponde igualmente à perfeição das realizações humanas. Diversos estudiosos têm abordado esta temática, nomeadamente José Manuel Gandara , autor deveras interessante mas(sobre o qual por vezes sou pouco concordante. Por exemplo, na minha óptica porque não igualmente o número cinco que na sua omnipresença, conduz directamente à divina proporção e ao Phi!

“As sete peregrinações, revelam as energias e a simbologia de sete pontos chave, onde vai implícito um deambular por um universo de símbolos e significações, irradiando de pontos bem localizados, solicitando um peregrinar a quem se disponha a reencontrar-se a um mais elevado grau de consciência do Cosmos e do lugar que ocupa num dado momento do seu percurso interior.

Uma PRIMEIRA PEREGRINAÇÃO, é o CAMINHO do RECONHECIMENTO, passando sucessivamente pelas igrejas de Santa Maria do Olival, Santa Iria, São João Baptista, Castelo e Convento de Cristo, proporciona a possibilidade de encontrar a nossa relação com o mundo e ligarmo-nos às origens cósmicas para entendermos a razão da vida.

Deambular sobre a égide de SATURNO pois que representa:

  • A avaliação racional da vida sobretudo os aspectos menos positivos;
  • Acompanha o “eu” na solidão;
  • Reforça a introspecção, preparando-nos para as premonições das adversidades inevitáveis;
  • Fortalece a força de ânimo, a coragem e a autoconfiança;
  • Motiva para a precaução perante a desconfiança e as más previsões

Uma SEGUNDA PEREGRINAÇÃO, é o CAMINHO DO MÉRITO no Mosteiro dos Jerónimos. Sob a égide de JUPITER:

  • Representa o optimismo perante a vida;
  • O sentido da coordenação;
  • A tendência para equilibrar o instinto e a razão
  • Relaciona-se com a inteligência intuitiva; autoridade, o conforto, a riqueza, a dignidade a filantropia; o sentimento de justiça;
  • Trabalha-se a TERRA, o nosso lado mais denso. Trata-se de entender a nossa relação com os bens materiais.

TERCEIRA PEREGRINAÇÃO, pelo Mosteiro da Batalha.  È o caminho por MARTE:

  • O CAMINHO DO DOMÍNIO.
  • Representa a condição da vida; a relação agressiva com o mundo exterior,
  • A paixão violenta, a conquista, a acção e a realização; a bravura;
  • A sobrevivência, a força, a energia, a extroversão
  • Nesta peregrinação trabalha-se a ÀGUA. O nosso lado mutável a passagem do exterior para o interior.

QUARTA PEREGRINAÇÃO, pelo Mosteiro de Alcobaça. È o caminho por VÉNUS em que se regem as: -Emoções, os sentimentos, os afectos, a ternura a sedução, a sensualidade, a amizade, a bondade, a harmonia:

  • É o CAMINHO da PARTILHA
  • Relacionada com a Inteligência emocional, implica as artes, as emoções pelas formas, cores, sons e movimentos.
  • Na quarta peregrinação trabalha-se o FOGO

QUINTA PEREGRINAÇÃO pelo Caminho de MERCURIO, na Quinta da Regaleira:

  • È o CAMINHO da PASSAGEM;
  • Mercúrio representa a relação mental com o mundo exterior, a perfeição intelectual, os contactos com o mundo pela expressão, comunicação, crítica e adaptação.
  • Indica a capacidade de análise, versatilidade, eloquência, e a capacidade de gestão.
  • Relaciona-se com a comunicação, contactos sociais literatura e estudo.
  • Na quinta peregrinação trabalha-se o AR, projectando-nos de forma controlada ao mundo exterior.

SEXTA PEREGRINAÇÃO, pelo Palácio da Pena. È o caminho pela LUA:

  • È o CAMINHO da ESCOLHA
  • A Lua representa o EU receptivo, a mudança, transformação, o não racional e a sensibilidade.
  • Indica a fantasia, a criatividade, a imaginação e a contemplação
  • Relaciona-se com a fertilidade, as forças naturais, a vida interior, o instinto maternal,
  • Rege a clarividência e o magnetismo
  • Nesta peregrinação desperta-se pela RAZÃO, a possibilidade de realizar a OBRA

SÉTIMA PEREGRINAÇÃO pelo Convento de Mafra. È o Caminho pelo SOL

È o CAMINHO da REALIZAÇÃO

  • O Sol Representa o EU consciente, a vontade a capacidade afectiva, a relação com a vida, o idealismo -A evolução, a energia psíquica.
  • Indicia a capacidade de organização, a lealdade, a espiritualidade,
  • Relaciona-se com a autor dade, o êxito
  • A alegria de viver e a relação com os Planos Divinos.
  • A sétima peregrinação faz o julgamento do passado e elabora planos para o futuro de acordo com a capacidade de viver o presente”.

A Biblioteca do Convento de Mafra comporta alguns volumes (sobreviventes dos processos de destruição pela visão ortodoxa) sobre Esoterismo, Alquimia e Magia. São volumes essencialmente dos séc. XVII e XVIII, alguns dos quais tem aposto a decisão do Santo Ofício da proibição da sua leitura.

Exemplos:

  • De Occulta Philosophia de Cornelio Agrippa
  • Bibliotheca Universallis de Conrado Cesner
  • Magia Naturalis, sive miraculis reum naturalium de Giambattista Della Porta
  • Kabbala Denudata de Cristhian Knorr Von Rosentoth (Fernando Pessoa possuia um exemplar anotado)

Com um enorme abraço amigo e solidário do Fernando Casqueira

GP/GLUP

PVM/SBA

A IMPORTÂNCIA DA G.L.U.P (COMO MATRIZ NACIONAL)

Se olharmos para Portugal como uma entidade que existe – e ninguém poderá afirmar que Portugal não existe – então, poderemos aceitar, como o fez Fernando Pessoa, que é possível fazer-lhe um horóscopo, um mapa astrológico, determinar-lhe a figura circular que define a relação exacta do céu com a terra no ponto do tempo em que nasceu. E é neste sentido, enquanto ser do tempo, que o vemos conformar-se ao movimento dos astros, desenvolver-se e envolver-se por ciclos.

Debrucemo-nos agora em Pessoa e no que escreveu no seu livro Mensagem:

Cumpriu-se o mar e o Império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Num primeiro olhar, e se tivermos em conta que este livro foi editado em 1934, não deixa de surpreender que este ‘Império que se desfez’ não é ainda a constatação do que iria acontecer em Abril, quarenta anos depois.

Para percebermos melhor o que encerram estas frases, vamos socorrer-nos de uma carta dos anos trinta, resgatada da famosa ‘arca pessoana’ em 1988 pelo investigador Pedro Teixeira da Mota, ano em que foi tornada pública.

O teor desta carta é dirigido ao conde e filósofo alemão Hermann von Keyserling, com o intuito de lhe dar a conhecer correctamente quem são os portugueses, em resposta ao que ele disse sobre nós. Para percebermos melhor o que se passou, vamos tentar conhecer melhor este personagem.

Sabemos que veio ao nosso país para um ciclo de conferências a convite da denominada Junta de Educação Nacional, acedendo a uma vontade do próprio palestrante, pois queria muito conhecer-nos.

Apresentou-se pela primeira vez a 16 de Abril de 1930, na Sociedade de Geografia, dissertando sobre “A Alma de uma Nação”, o tema que quis partilhar com grande parte da intelectualidade portuguesa.

Falou-se na ‘Escola de Sabedoria’, por ele fundada em 1919 em Darmstadt, na Alemanha, como sendo “a primeira escola onde se ministra um ensino sem conteúdo, e onde ninguém a demanda para aprender: sob a influência da personalidade desperta-se e intensifica-se o pensamento e, acima de tudo, forma-se uma orientação espiritual sem cânones”.

Pode ler-se no relato do Diário de Notícias sobre esta conferência, que «nas poucas horas da sua presença em Portugal sentia-se já mais português do que supunha.”

Exultaram-se, inclusive, atributos que nos seriam comuns, pois lemos ainda que “Assim como ele, orador, viajava, para se ampliar em matéria de conhecimentos, assim os portugueses foram para as descobertas, não por motivos de ordem material, mas sim para dilatarem a sua espiritualidade, deduzindo por isso que o português é um verdadeiro criador de almas».

Todavia, este artigo aparece antes de ele ter proferido as tais considerações pouco abonatórias sobre aquilo que ele achava que éramos enquanto povo, ao rotular-nos como ‘mesquinhos, invejosos e explosivos’

É então que aparece Pessoa a escrever ao alemão – embora se pense que a dita carta possa nunca ter sido publicada ou mesmo que dela ele tenha tido conhecimento – questionando estas afirmações e respondendo como só ele sabia fazer:

“Que Portugal pensa ter podido ver? Há três e tudo está lá (…). Da terceira alma portuguesa feita de inteligentes e de entendedores, nada há a compreender.

Quanto à primeira alma portuguesa, se a vossa intuição é subtil, tê-la-eis adivinhado. Talvez a tenhais mesmo deduzido da paisagem e da luz, mais até do que aprendido nas próprias almas.

Nisto tudo, viu bem, mas não tereis visto que o visível. O Portugal essencial – a Grande Alma portuguesa, em toda a sua profundidade aventurosa e trágica – foi-vos velada…»

É que na verdadeira matriz portuguesa, não há só um Portugal, mas três, algo que realmente nos interessa enquanto membros da GLUP, como veremos de seguida; ouçamos então o que ele diz sobre isso:

“O terceiro Portugal que encontrareis à superfície dos Portugueses visíveis, é aquele que, depois da curta duração espanhola, e durante todo o curso inanimado da dinastia de Bragança, da sua decomposição liberal, e da República, formou esta parte do espírito português moderno que está em contacto com a aparência do mundo. Esta terceira alma portuguesa é apenas um reflexo mal compreendido do estrangeiro que passa, por uma hipnose, não do homem, mas só do seu caminhar”.

Sobre o primeiro Portugal, ou a sua primeira alma, elucida Pessoa:

“…nasceu com o próprio país; é esta alma da própria terra, emotiva sem paixão, clara sem lógica, enérgica sem sinergia, que encontrará no fundo de cada português, e que é verdadeiramente um reflexo espelhante deste céu azul e verde cujo infinito é maior perto do Atlântico.”

Finalmente, vejamos o que é o segundo Portugal:

“Há uma segunda alma portuguesa, nascida (isto é apenas uma indicação cronológica) com o começo da nossa segunda dinastia, e retirada da superfície da acção com o fim – o fim trágico e divino – desta dinastia.

Depois de Alcácer-Quibir, onde o nosso Rei e Senhor Dom Sebastião foi atingido pelas aparências da morte – não sendo senão símbolo, não era possível morrer – a alma portuguesa, que procurará em vão, tornou-se subterrânea e veio-nos de mistérios e sonhos antigos, de histórias contadas aos Deuses possíveis antes do Caos e da Noite, fundamentos negativos do mundo.

Esta alma portuguesa, herdeira por razões e desrazões que não é legítimo explicar ainda, da divindade da alma helénica, fortificou-se na sombra e no abismo. Outrora descobriu a terra e os mares; criou o que o mundo moderno possui que não é antigo, pois os outros dois elementos do mundo moderno (a substituição da cultura helénica e a semi-cultura latina, obra da Reforma e da Revolução Inglesa) são elementos obtidos por uma transposição de diferentes elementos das antigas religiões e civilizações; não são criados integralmente como o oceanismo, o universalismo e o imperialismo à distância que foram os resultados produzidos conscientemente pelo primeiro movimento divino da alma portuguesa, do segundo estado da Ordem  secreta que é o fundo hierático, ou seja, a qualidade relativa às coisas sacerdotais, sagradas ou religiosas da nossa vida.”

De acordo com António Telmo, o primeiro Portugal, nascido com a primeira dinastia, é ainda hoje o que está no fundo de cada português; o segundo Portugal, cumprida a primeira metade da sua missão com a segunda dinastia, tornou-se subterrâneo; à superfície da história ficou o terceiro Portugal, surgido com a dinastia dos Braganças e prolongando-se pela República.

E como é hábito em Pessoa, para nos ‘desassossegar”, depois da descrição das três almas de Portugal, remata vaticinando o desaparecimento do terceiro e a ascensão gloriosa de um quarto Portugal, que será a manifestação superior do primeiro e do segundo.

Voltando à leitura do horóscopo do nosso país, anuncia que no dia 1 de Janeiro de 1978, ano em que se cumpriram 400 anos sobre Alcácer-Quibir, o Sol transitará da quarta para a quinta casa, depois de ter permanecido na primeira destas durante cento e um anos.

Ainda segundo a interpretação de António Telmo, e porque de astrologia percebo pouco, esta quarta casa é o lugar dos antepassados, a morada subterrânea dos heróis, aquilo que é designado como sendo o ‘Inferno do horóscopo’.

Conclui-se então, que,

“Se assim é, a entrada do Sol nesta casa em 1877 e a sua permanência ali durante um século e um ano não podem senão significar a descida aos infernos de Portugal.

Com efeito, continua este nosso saudoso I, estes cento e um anos marcam um período de extrema decomposição da Pátria, depois da morte prematura de D. Pedro V, em quem o povo, pressentindo a descida e a queda, pôs ainda o sinal da sua presença. De então para cá, assistimos à mais pura manifestação de mediocridade política nos três últimos Braganças, a essa terrível desilusão que foi a República, obra do positivismo que tinha fatalmente de produzir Salazar e o que ele representou, que nos educou durante 48 anos e deu a geração do 25 de Abril e a sua política de cozinha, sob o nome pomposo de Economia”.

Constatamos, portanto, já não estarmos na dita ‘casa infernal’.

Claro que não há sinal horário para um novo começo e as inércias ainda se fazem notar, mas o que convém interiorizar, e não esquecer, é que habitamos o quarto Portugal, a manifestação superior do primeiro e do segundo, ou seja, digo eu, estamos na hora da GLUP!

Congratulemo-nos, pois, por fazermos parte desta Augusta Ordem, acreditando que cada um de nós tem um trabalho a fazer para não defraudar as expectativas de tantos dos nossos antepassados.

Mais uma vez, na História da Humanidade, surge uma oportunidade para mostrarmos ao mundo o que que é que o mundo precisa, apontando o verdadeiro sentido da vida assim como quem traça um azimute na ‘singradura-pós-Iniciação’ para evitar naufrágios profanos.

Como já o disse antes, não seremos seguramente melhores que os II de outras Obediências; estamos é melhor preparados, matricialmente e no contexto da nossa génese, para fazer da Humanidade uma bênção e não um estigma.

Na verdadeira exigência que nos deve habitar, congratulo-me por a GLUP, na pessoa do nosso Respeitabilíssimo Grão-Mestre Paulo Cardoso, ter trazido para o Altar da Lei Sagrada o Livro que faltava, o Corão, companheiro indissociável da Tora e da Bíblia, sem o qual a nossa identidade enquanto Maçons e Portugueses não podia ser assumida.

Para que cumpramos o nosso desígnio, as nossas raízes têm que estar intactas. Se não o fizermos, a aprendizagem será frouxa, propicia à vinda de ‘companheiros’ que não hesitarão em liquidar os novos ‘Hirans’ que lhes fizerem frente, como já vimos acontecer.

Honremos o facto de que houve entre nós, senão connosco, uma organização esotérica que, de uma maneira perfeitamente consciente e intencional procurou, a partir desta Pátria, a que deu existência, redimir o mundo do mal e da divisão. Para os menos atentos, é óbvio que me refiro aos Templários.

Não sou eu que o digo, mas faço minhas as palavras de Américo Castro, historiador e antropólogo espanhol nascido no Brasil no séc. XIX, que explica  a decadência dos povos peninsulares e todo o seu comportamento ulterior – não comparando-os com os outros mas com aquilo que foram – pela perseguição aos judeus, separando a história do nosso povo em duas metades: uma durante a qual o Rei era o senhor de três castas, três formas de organização social e três formas de religião – a cristã, a moura e a hebraica; outra em que a casta cristã passou a ter no Rei um partidário dominando definitivamente a cena política.

MMQQII: é por já termos vivido na plenitude dos três livros sagrados, na época do primeiro e segundo Portugal, as matrizes para o quarto Portugal, em harmonia com as diferenças de cada um, que fazemos a diferença.

Acredito que a maior parte de nós ainda não percebe muito bem o que é que é isto de sermos portugueses, mesmo tendo por cá nascido; é também por isso que estamos aqui hoje.

Estamos muito condicionados a uma intenção histórica de pura maquilhagem, direi mesmo de uma profunda operação plástica com o intuito de nos fazer defensores de ‘carochinhas’ e ‘gambuzinos de armadura’ para nos distraírem do essencial.

É para nos guiar de volta ao essencial que surge a Grande Loja Unida de Portugal. E não estou a falar do Rito Português em particular, mas sim de uma obediência maçónica, a nossa, que acolhe, na regularidade, todos os que ousarem defender a Fiat Lux, um termo, como sabemos, que é o ponto culminante da iniciação, ocasião em que o candidato recebe a luz da sabedoria maçónica, enxotando as trevas do mundo profano.

Olhando para trás, parece que algo correu mal, houve algo que falhou e que provavelmente se situou no reinado de D. Manuel I, adiando ‘sine die’ o que então se sabia.

Não nos esqueçamos que, obedecendo a uma exigência dos ‘Reis Católicos’, Isabel e Fernando, e para viabilizar um casamento entre as duas proles reais, o que não veio a acontecer por morte de um dos noivos, a irrevogável condição ‘sine qua non’ imposta ao nosso Rei para que tal pudesse acontecer foi a absurda expulsão dos judeus do nosso território, contrariando assim a disposição deixada por D. João II…

O seu legado não se perde, pois restam-nos os símbolos do ‘manuelino’ como derradeira pista para ser interpretada nos séculos vindouros, pois estes acontecimentos tiveram lugar quando as suas prováveis mensagens ocultas já se haviam dispersado pelo país inteiro.

Não nos esqueçamos que se damos conta de haver uma cor azul, é porque nem tudo é azul à nossa volta.

Se acreditamos que podemos fazer a diferença é porque algures, subliminarmente, habita a convicção de que somos mais que isto, mais que o nosso corpo, mais do parece que é ser-se português, o sentirmos o nosso legado e a responsabilidade de o aproveitarmos.

Todos juntos permitiremos que cada um, individualmente, se liberte da escuridão imposta pelos véus da ignorância e possa, com a sua própria luz, abrir caminho a muitos mais na senda da nossa imortalidade espiritual.

Por S. Jorge!

Disse!

LVBaptista, MM, GO das Artes

Prancha da Sessão de G.L., Templo Pátria, revelada a 27 de Setembro de 6017, Equinócio de Outono

São Jorge

Dirijo-me a vós, sobre o reflexo deste meu trabalho, com o titulo São Jorge, que hoje não é mais meu… sim, é nosso! Fruto do vosso reconhecimento e de toda a aprendizagem, que junto vós, pude alcançar. Uma aprendizagem, feita em silêncio, onde a espiritualidade e a minha ligação ao sagrado, foi crescendo, Resultado dos vossos conhecimentos e da forma altruísta como eles são partilhados connosco. Como parte integrante do edifício social, tenho moldado a pedra de modo a que todas se ajustem. Começamos por nós próprios com o vosso apoio, pois são aqueles que já percorreram o caminho da aprendizagem. Ouvis a vossa palavra livre e avisada, compreendi o seu exemplo. Estas serão também as minhas ferramentas: palavra e exemplo. Com elas, alcançaremos e partilharemos,  em conjunto, a edificação de uma sociedade mais justa e perfeita.

Evitando a memoria descritiva da peça, pois a mesma poderia inibir, ou condicionar, o trajecto individual de descoberta a que a obra se propõe, gostaria de tecer algumas considerações:

Comecei este quadro há sete anos, para logo a seguir o interromper pelos, mesmos, sete anos. Em 30 anos de pintura, nunca tal me tinha acontecido. Começou a ser trabalhado a aproximadamente 100 metros do local onde nos encontramos, o templo Pátria. Na realidade há tanto mistério que me une a este quadro, que só depois da minha iniciação no dia do equinócio da Primavera, a luz começou a revelar-se e o trabalho passou a fluir, para ser concluído no dia do Solstício de verão.

Estamos, por isso, na presença da primeira empreitada na minha condição de Plantado recentemente, como diz a palavra Grega Neóphitos, onde sempre combati o Vicio e procurei exaltar a virtude.

Tem sido um trabalho progressivo que envolveu uma constante e silenciosa descoberta. E não encontro melhor, ou mais pura razão, para justificar a complexidade da minha relação com esta obra durante tanto tempo. Pois também ela aguardava o vosso reconhecimento e a correspondente reflexão e aprendizagem que tem tomado conta de mim. Foi só junto vós que, quer eu, quer a peça descobrimos o nosso verdadeiro caminho. Caminho esse que se tem vindo a consubstanciar progressivamente. Um caminho só possível com a espiritualidade e conhecimento que aprendi junto a vós.

Tornou-se pois uma inevitabilidade consagrar-me a esta aclamação colectiva ao Santo Eclético, a São Jorge.

Recorrendo à Pesquisa, à rectidão na acção, a uma observação profunda, ao correcto emprego dos conhecimentos, à precisão na execução e à vontade na aplicação, que… Como diria Fernando Pessoa: “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce”. E nasceu, hoje é nossa, e há nela tudo o que convosco aprendi.

Talvez não seja de uma forma obvia, mas seguramente todos nós encontraremos nela todas as referências que se encontram presentes. O corpo mental, O corpo físico, O corpo emocional e o corpo espiritual. Bem como as mais importantes referencias maçónicas. O compasso, o esquadro, o pêndulo, o nível, a régua, o malhete, as colunas, os pontos cardeais, e outras. Não se encontram escondidas ou veladas. Estão presentes para serem descobertas.

Posso garantir que no decorrer desta viagem anui que o quadro, em si, me deu muito mais do que eu racionalmente lá coloquei, simplesmente porque ele revela uma aprendizagem que me foi proporcionada por, e junto, a vós.

Inicio agora a fase em que este trabalho se solta da minha pele, do meu corpo, das minhas mãos. A fase em que deixo de estar dentro dele para retomar o meu lugar na cadeia que nos une. Sou agora, igualmente, um observador atento e analista deste quadro.

É aqui que um enorme sentimento me trespassa, pois a percepção desta viagem, este calcorrear de novos caminhos cheios de princípios, valores e conhecimento, aumentam a luz da descoberta e indicia muitas surpresas espirituais, tanto como uma consolidação Humanista.  Que assim possa acontecer, com todos vós, melhor, que assim possa acontecer com todos nós.

Termino com breves palavras que jorraram do desbaste desta matéria.

Os dias e as coisas passam,

Como jornais por ler,

Ou ausências de saudações e de respostas.

Já não se conhece o nome dos vizinhos.

Somos, cada vez mais, isolados

E quase ninguém sabe a nossa graça.

Como se ela se tivesse perdido

numa velocidade para a qual nem o sopro está preparado.

Mas quando não somos sozinho,

Quando somos reconhecidos,

Quando pertencemos a uma cadeia de união,

Podemos, todos, ser quase nada.

Sendo o nada a aproximação ao quase tudo.

Porque dentro de nós cabe uma infinidade de planetas.

Um universo inteiro

E o caminho é feito em busca da luz do criador.

Etapa, por etapa

Na medida certa em que o conhecimento é connosco partilhado.

Disse, Venerável Mestre.

A:.M:. JM

Símbolo e Silêncio

À GLÓRIA DO GRANDE ARQUITECTO DO UNIVERSO

Venho duma Loja de São João, onde se exalta a Virtude e se combate o Vício.

Venho aqui vencer aqui as minhas Paixões, submeter a minha vontade e realizar novos progressos na maçonaria.

Aqui do lugar onde me encontro, venho falar-vos de símbolo e silêncio. E de como sinto que o meu meu caminho para a virtude se pode percorrer aprendendo os símbolos em silêncio.

Símbolo é o que “está em vez de”. Aliquid stat pro aliquod e determina algo, através do conhecimento do qual, se pode conhecer algo mais.

Símbolo remete para uma ideia de representação, de um quod ínsito à natureza da linguagem. É pelo símbolo que se gera um encontro particular entre uma determinada invisibilidade – ou indizibilidade – que não se conforma nunca plenamente no que é visível – ou dizível.

O símbolo designa e supera. É através dele que se suplantam as condições de enunciação permitindo ao aprendiz sair de si. Permitindo-lhe exumar-se ao tempo finito da vida, o nosso Kronos, e ao mesmo tempo aspirar a transformá-lo, pela aprendizagem, em memória. Podendo assim aspirar ao tempo infinito da oportunidade, ao Kairos.

O símbolo, estando na génese da linguagem, é trave mestra para para o conhecimento, e vértice da imortalidade; e a linguagem, por isto mesmo, um objetivo a que se pode aspirar apenas se nosso elevar-nos espiritualmente, combatendo e vencendo as paixões que nos prende ao mundo material e nos iludem, suplantando desejos e vontades que não são mais que produto de egoísmo intrínseco, próprio de qualquer alma em estado bruto, a quem é, por virtuosidade maçónica, concedida a graça do silêncio.

Pois como poder da cobra está na sua língua, o poder do símbolo reside no silêncio.

 

Neste lugar onde me encontro, o meu tempo é agora o Kairos, e esta, sendo a minha primeira voz no templo, é simultaneamente a minha primeira vez e a minha primeira oportunidade.

Neste processo de aprendizagem iniciático, recebo hoje esta responsabilidade nova, que consiste em poder abandonar por momentos o privilegio concedido do silêncio, e poder partilhar convosco aquilo que, do meu lugar, tenho podido compreender.

Pude ouvir e observar, num processo sem som, signo e símbolo, e refletir interiormente na sua importância. Pude aprender, sem intervir. Crescendo interiormente, na esperança de poder reconhecer a verdadeira sabedoria.

Sou pedra bruta, mas será que sou também matéria dúctil?

Procuro polir-me, libertar-me das minhas arestas profanas, que nos dias comuns da vida quotidiana, limitam a o meu conhecimento e dificultam a minha compreensão do mundo.

É aqui no templo, de onde emana toda a virtude, que buscamos a sabedoria que nos permite alcança-la, e só então depois, conseguir compreender como é que a linguagem a pode fixar.

Aqui do lugar de aprendiz onde me encontro a Força é muda. Porque em mim, apenas muda, ela pode almejar a ser virtuosa.

Aqui busco a virtude, sem a graça da linguagem, sentindo por dentro a sua Força, ainda só potencia, ainda sem uma forma consumada.

Busco a virtude na humildade descalça da minha condição, como a pedra bruta busca a sua forma lisa.

Aqui neste lugar onde me encontro procuro encontrar em nós, que sou eu em vós, e na dinâmica e simbolismo do nosso ritual, o caminho que me permita abrir a mente para a realidade de um mundo superior, podendo beneficiar das energias positivas de todos vós, pois só assim poderei vencer os meus pensamentos negativos.

Saiba eu percorrer em silêncio este caminho dos símbolos!

Que a sabedoria presida e a força complete, o que a beleza decora.

A Oriente de Sintra

Disse

JD, M.’.M.’.

Exordium (2)

Iniciámos esta nossa Grande Loja Unida de Portugal faz pouco mais de um ano, a 4 de Julho de 2016. Eramos um grupo pequeno de Maçons com sonhos do tamanho do mundo…

Ao longo deste nosso primeiro ano de atividade conseguimos realizar grande parte dos projetos a que nos propusemos e imbuídos do espírito de União, Solidariedade e Fraternidade, de que já tínhamos saudades. Praticámos Maçonaria!

Crescemos enquanto Homens, enquanto Maçons, conseguimos dar Alma a este nosso projeto e queremos continuar no mesmo rumo e com a mesma intensidade, certos que é o caminho da Luz.

Internamente, realizámos tantas tarefas que já são difíceis de elencar, mas de que destaco algumas: – o lançamento do nosso ritual do primeiro grau do rito português em formato de livro, todo o trabalho de investigação e retificação que está a ser efetuado em todos os rituais de todos os ritos para poderem ser também objeto de edição em livro, o lançamento do guia do iniciado em formato digital, iniciámos a produção e a entrega de paramentos a todos os obreiros, o trabalho fantástico da construção do nosso Templo e áreas adjacentes, o lançamento da 1ª mostra de arte maçónica e que está patente no nosso Templo, a consagração da primeira Loja fora de Lisboa, a edição dos fins-de-semana de formação maçónica (2 edições), a iniciativa de portas abertas que levou a que dezenas de profanos visitassem o nosso espaço, as três sessões de Grande Loja realizadas, o jantar de natal da GLUP, os ágapes rituais das Lojas e o ágape ritual de Grande Loja por ocasião do aniversário, a comemoração do dia Internacional do Maçon, o evento de arraial de Santo António, as visitas culturais, a missa realizada a 10 de Junho, em honra dos maçons que lutaram por Portugal, os inúmeros ágapes e jantares debate com oradores profanos, o sistema de faturação individual e sistema de pagamento on-line, as horas de formação a aprendizes, companheiros e mestres, todo o trabalho normal e regular das nossas Lojas, a publicação do nosso Boletim….mas tudo isto só foi possível com a união de todos e com a vossa entrega.

Tantas foram as iniciativas, que realizámos externamente e que também tiveram o seu impacto. Todos os meses realizamos visitas culturais e de valorização do nosso património edificado, realizámos iniciativas de solidariedade com os Bombeiros do Beato, das quais destaco as mais de duas toneladas de alimentos e roupas que conseguimos fazer chegar aos mais necessitados, bem como o barco que doámos à corporação dos bombeiros, conseguimos em parceria com a Junta de Freguesia do Beato recolher mais de 1000 livros e doámos um espetáculo musical, onde estiveram mais de 1000 pessoas que aplaudiram o que somos e o que fazemos.

Mudámos mentalidades e mudou, essencialmente, a forma como todos percecionamos a Maçonaria feita na Grande Loja Unida de Portugal.

Cientes que queremos continuar a trabalhar em prol da Maçonaria e da sociedade, falar da Grande Loja Unida de Portugal é falar da nossa casa e da nossa família!

Agora que se aproxima o período de férias maçónicas, quero agradecer todo o vosso empenho e dedicação e desejar-vos um bom período de férias em família, com a certeza que em setembro estaremos todos de volta retemperados de energias para prosseguirmos os nossos objetivos e continuarmos a praticar Maçonaria na Grande Loja Unida de Portugal.

Boas Férias!