R.’. L.’. Phi, N.º 9

A loja Phi nº 9 foi consagrada no passado dia 23 de Setembro, em sessão de Grande Loja no Templo Pátria, por altura do Equinócio de Outono 6017.

Acredito que o seu ADN – a R. L. Camões nº1 – vai permitir-lhe ser bem sucedida na continuidade do seu legado, tendo em conta tudo o que de bom foi feito por esta que foi a ‘minha’ Loja durante o primeiro ano de existência da GLUP. Fica aqui um ‘bem-hajam’ aos Irmãos que ali comigo cresceram!

Como em qualquer Loja, é ao Venerável Mestre, com a cumplicidade dos seus obreiros, que define e personaliza o rumo que vai sendo traçado; o meu veneralato tem como objectivo levar-nos a um porto de destino simbólico, com coordenadas geográficas meramente especulativas, pois o que verdadeiramente me interessa é a viagem que vamos viver em conjunto como obreiros/tripulantes  deste desígnio  fantástico que agora se reinventa.

A minha exigência está em não desperdiçar esta oportunidade, aproveitando-a ao máximo para reivindicar princípios maçónicos com os quais me identifico, e acreditando poder transmiti-los duma forma construtiva e duradoura, almejando a que possam ser discutidos e melhorados nos próximos veneralatos, o que pressupõe uma continuidade do que defendo.

E o que defendo é sendo a Maçonaria uma das poucas vias iniciáticas que ainda sobrevive no Ocidente, temo que isso possa  acabar se não formos cuidadosos e exigentes. O nome “Maçonaria” é possível que não acabe, pois há muitos interesses à sua volta; mas a que queremos praticar na Loja Phi é a genuína, aquela que nos faz vibrar com atributos que as palavras não explicam, uma egrégora  como sede do verdadeiro segredo maçónico.

É preciso aplicar à nossa época o conceito da doutrina metafísica e da cosmogonia perene, a tradição supra-humana como expressão própria da verdade e da sabedoria, uma tradição primordial onde a Maçonaria se revê, expressando-se pelo símbolo e com sede na GLUP.

E foi imbuído desta determinação que escolhi a designação de ‘Phi’ para nome desta Loja, pois este é o símbolo maior da criação divina do GADU, emparelhado com outros numa família de códigos e estruturas que se inter-conjugam e manifestando, por seu intermédio, a realidade do discurso universal proporcionando, a quem souber interpretá-los (e nós, pela Iniciação, estamos vocacionados para isso), uma tradução inteligível dessa mesma realidade e que de outra forma a ela não teríamos acesso.

Vamos recuperar o discurso maçónico que encontro em René Guénon, um filósofo francês nascido no séc. XIX e tido, para meu regozijo, como inclassificável, atributo dado a todos os que não estão alinhados com as normas vigentes da sua época e têm a ousadia de pensar por eles próprios. Outro René, o René Alleau, também estará presente na interpretação em Loja que pretendo fazer do seu livro “A Ciência dos Símbolos”.

Tenho um forte motivo para o evocar, pois assim junto a minha à sua voz chamando a atenção de todos os maçons que buscam o Conhecimento.

É meu desejo que encontremos nos símbolos e nos ritos os métodos necessários para vincular a nossa iniciação à Ordem, ou seja, convoco todos os que se consideram herdeiros do nosso legado tradicional, considerando-o vivo e  actuante (e não uma anacrónica relíquia do passado), e como parte indissociável e essencial daquilo que é a “corrente áurea” ou Philosophia Perennis, em latim e no original,diretamente emanada da Tradição primordial, pois ao admitirmos a universalidade e sacralidade dos códigos simbólicos de todas as tradições, mesmo as já desaparecidas, ficamos na posse de um inestimável capacidade para compreender a própria simbólica maçónica.

É esta a tarefa que eu e todos os obreiros da Loja Phi se propõem.

Muito obrigado pela vossa atenção,

LVB, VM da Loja Phi, N.º9